A deputada do Grupo Parlamentar do PS/Açores, que falava à margem da reunião do Grupo de Trabalho, destacou ainda que foram prestados todos os esclarecimentos, numa audição de mais de três horas: “Percebe-se o bom trabalho que foi feito quer nas vésperas quer depois da passagem do furacão Lorenzo - uma catástrofe com dimensões nunca previstas -, quer o esforço hercúleo que foi feito por todos os envolvidos nos dias imediatamente após a passagem do furacão e ainda na recuperação que está em curso”.
Mónica Rocha elogiou “a rápida intervenção do Executivo açoriano, que elencou os estragos, que realizou as obras mais urgentes para garantir a operacionalidade possível no porto das Flores e, mais tarde, com a flexibilização legislativa para agilizar os procedimentos que eram necessários. Já há projectos lançados, empreitadas em curso e investimentos previstos que, nos próximos anos, permitirão repor alguma da normalidade possível”.
A parlamentar socialista também considerou importante a renovação do contrato com o navio “Malena” “que tem assegurado o abastecimento de mercadorias”. Mónica Rocha adianta que o Governo dos Açores deixou “o compromisso de continuar a empenhar todos os esforços para ultrapassar os constrangimentos ao abastecimento que continua, naturalmente, a ser afectado pela destruição total do Porto das Flores e pelo mau tempo que se faz sentir mais intensamente em alguns períodos”.
Navio Malena assegura abastecimento às Flores nos próximos três meses
O navio Malena continuará a assegurar o transporte de mercadorias para a ilha das Flores durante os próximos três meses, anunciou a secretária regional dos Transportes e Obras Públicas dos Açores.
Ouvida pelo grupo de trabalho doPparlamento açoriano que acompanha os trabalhos de recuperação do furacão Lorenzo, Ana Cunha adiantou que o navio fretado pelo Governo Regional para garantir o abastecimento ao grupo Ocidental, depois da destruição total do porto das Lajes das Flores, está “neste momento na sua renovação automática”, sendo que irá continuar a operar pelo menos nos próximos três meses na Região. “O que se pretende é que todos os operadores da ilha das Flores tenham o mesmo preço de frete que tinham anteriormente e não sejam de forma alguma prejudicados por esta situação”, afirmou a governante.
Também presente na audição, o Presidente da Portos dos Açores, Miguel Costa, adiantou que a empreitada de 19 milhões de euros de protecção do porto, que já tinha sido adjudicada, já arrancou.
Quanto ao projecto de reconstrução, “está em fase de conclusão o primeiro estudo prévio” e deve “ficar concluído, o mais tardar, no início do segundo semestre deste ano”.
Bruno Belo, deputado do PSD, questionou o responsável pelos portos sobre se as medidas de prevenção tomadas antes da chegada do furacão, em Outubro, teriam sido suficientes.
O presidente da Portos dos Açores sublinhou que foi feito tudo o que era possível e que “ninguém tinha noção de que o que aconteceu poderia sequer acontecer, que é a destruição total de um porto”.
“Blocos do muro cortina com cerca de 300 e 400 toneladas foram deslocados para o meio da bacia. Julgo que está aí espelhada a dimensão da catástrofe”, apontou Miguel Costa.
A audição foi também marcada pela intervenção do deputado monárquico Paulo Estêvão, que reiterou a necessidade de se encontrar uma embarcação que garanta um abastecimento regular à ilha do Corvo. O parlamentar voltou a insistir na questão do racionamento de combustível no Corvo, para a qual alertou em 28 de Abril, e que o Executivo regional negou.
“Eu não gosto de passar por mentiroso e que as informações que veiculo nesta matéria sejam desmentidas pelo governo, quando é um facto que estava a haver racionamento”, afirmou.
A Secretária Regional reafirmou que “o Governo Regional dos Açores não decretou nenhum racionamento de combustíveis em qualquer ilha dos Açores” e que, “se o tivesse feito, seria feito nos mesmos moldes em que o fez na ilha das Flores, aquando da passagem do furacão Lorenzo”, decretando-o formalmente. “O que se passou foi o seguinte: o posto [de abastecimento] do Corvo, nessa semana, terá tido um consumo esporádico e anormal de cerca de 500 litros de gasóleo no espaço de 24 horas, sendo certo que dispunha ainda de 300 litros nos depósitos, que não conseguia bombear, por falha do equipamento. Nesse sentido, o Fundo Regional de Coesão dirigiu para esse posto alguma parte da sua reserva. Ou seja, qualquer racionamento que possa ter existido não foi decretado nem validado pelo Governo dos Açores e, a sê-lo, teria sido feito pelos moldes legais”, explicou a governante.
Recorde-se que o furacão Lorenzo passou pelos Açores na madrugada de 01 para 02 de Outubro de 2019, afectando maioritariamente os grupos Central e Ocidental. Provocou 255 ocorrências, que obrigaram ao realojamento de 53 pessoas.
O executivo regional estimou um total de cerca de 330 milhões de euros de prejuízos com a passagem do furacão, sendo 85% deste valor assumido pelo Governo nacional.