“Foi aqui afirmado que temos um subfinanciamento crónico e desinvestimento no Serviço Regional de Saúde. Ora, a realidade desmente essas afirmações. Basta uma análise aos valores transferidos anualmente para o Serviço Regional de Saúde ou ao número de profissionais de saúde nos Hospitais e Unidades de Saúde de Ilha ou ainda às novas infra-estruturas e equipamentos em todas as ilhas para perceber que essas afirmações não correspondem à verdade”, afirmou Berto Messias, que falava, por videoconferência, no debate no âmbito de uma declaração política apresentada pelo PSD/Açores.
Segundo Berto Messias, “dizer isso acaba por ser uma contradição em si mesma, ou seja, elogia-se os profissionais de saúde, as condições do Serviço Regional de Saúde e as respostas que têm sido dadas e, ao mesmo tempo, critica-se um alegado desinvestimento que, a existir, não permitiria estas mesmas respostas”.
“Temos um reforço anual de financiamento, mais médicos, mais enfermeiros, mais técnicos de diagnóstico e terapêutica, mais assistentes operacionais, melhor infra-estruturas, melhores equipamentos, isso é inegável e indiscutível. Quer isto dizer que está tudo bem e que não há problemas? Obviamente que não, fizemos muito mas há ainda muito para fazer e os desafios são muitos neste sector, quer na abordagem à pandemia que nos assola, quer no trabalho paralelo que tem de continuar a ser feito e intensificado em todas as áreas abrangidas pelo Serviço Regional de Saúde que não têm que ver com a covid-19”, afirmou Berto Messias.
PSD/Açores considera urgente “ajudar os mais frágeis e salvar empregos”
O líder parlamentar do PSD/Açores afirmou ontem que “é urgente ajudar os mais frágeis e salvar empregos”, alegando que à pandemia da covid-19 “não se pode suceder a pandemia da pobreza e do desemprego”.
“Não podemos aceitar que à pandemia da covid-19 se suceda a pandemia da insolvência das empresas, a pandemia do desemprego ou a pandemia da pobreza. Há sérios riscos da pobreza, que já existia antes desta pandemia, se agravar, criando problemas sociais de dimensão imprevisível”, afirmou Luís Maurício, em declaração política, no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores.
O líder da bancada social democrata salientou que, para enfrentar as consequências da pandemia da covid-19, é necessária uma governação “mais ágil, eficaz e humilde”.
“A magnitude da crise económica e social por que os Açores passam, com o agravamento das nossas fragilidades económicas e sociais como consequência da pandemia covid-19, exige uma governação mais ágil, eficaz e humilde. Porque é urgente ajudar os mais frágeis. Porque é urgente salvar empregos e salvar empresas. Porque não se pode perder tempo”, afirmou Luís Maurício.
O líder da bancada social democrata salientou que, na actual conjuntura económica e social, exige-se do Governo Regional “agilidade na tomada de decisão, eficácia nas medidas aprovadas e uma urgente desburocratização das medidas”.
“Que haja a humildade para ouvir e saber ouvir os parceiros sociais, os partidos políticos, as instituições particulares de solidariedade social, que se ouça e se saiba ouvir a sociedade açoriana. A tarefa é de tal ordem de grandeza que o contributo de todos tem de ser sempre considerado. O ritmo das soluções tem de acompanhar o ritmo da urgência em resolver os problemas que os açorianos enfrentam”, frisou.
O presidente do grupo parlamentar do PSD/Açores defendeu que a Região “não pode ficar dependente só das soluções externas”, alegando que “é proibido estar à espera de que alguém resolva os nossos problemas”.
“Temos de encontrar novas soluções, as nossas próprias soluções, nomeadamente quanto à necessidade de aumentar a liquidez das empresas, prioritariamente a fundo perdido, mediante determinados requisitos. Estamos cientes que os velhos problemas permanecem porque não foram encontradas novas soluções. E estamos ainda cientes de que os novos problemas da sociedade açoriana exigem novas respostas”, sublinhou.
Para Luís Maurício, “são necessárias novas medidas que promovam a sustentabilidade possível das empresas, da agricultura, das pescas, do emprego e do funcionamento das instituições particulares de solidariedade social”.
“Quando a nossa realidade regional é a de que um em cada três açorianos são pobres, não podemos estar orgulhosos do que foi feito. Estamos antes responsabilizados pelo que importa fazer, diferente e melhor, para resolver este grave problema. Evitar o aumento do desemprego, por via da insolvência das empresas; evitar a diminuição do rendimento de muitas famílias, é combater os níveis de pobreza”, disse.
CDS apresenta soluções para reforço do Sistema Regional de Saúde
Por sua vez, o Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP, Artur Lima, afirmou ontem que “no quadro do processo de desconfinamento fixado pelo Governo Regional para uma saída segura da pandemia da covid-19, o CDS disse mais uma vez presente e apresentou soluções para um levantamento gradual das medidas implementadas no contexto da pandemia a nível regional, afirmando um único propósito: preparar a Região, proteger a saúde e garantir a confiança dos Açorianos no processo”.
Nas palavras de Artur Lima, o CDS considerou “fundamental calcular a capacidade instalada a nível hospitalar em internamento e em cuidados intensivos para situações epidemiológicas, permitindo assim sistematizar os diferentes níveis de resposta e possibilitar que estejamos mais e melhor preparados para corresponder a novos e exponenciais episódios da pandemia”, bem como considerou “indispensável o reforço de especialistas de saúde pública no nosso Sistema Regional de Saúde e a constituição de um grupo de trabalho epidemiológico permanente, por forma a garantir o acompanhamento dos progressos científicos verificados e desenvolver as adequadas respostas epidemiológicas a nível regional”.
Artur Lima garante, que “o CDS continua, como sempre o fez em todas as fases do processo epidemiológico, e na esteira do que continua a ser afirmado pela OMS, a defender a capacidade de testar em massa como ferramenta indispensável para o levantamento das restrições implementadas e combater os riscos futuros da propagação da epidemia”, reiterou o Presidente do CDS/Açores. Artur Lima anunciou ainda que o Grupo Parlamentar trará a discussão, neste plenário, o reforço da formação em medicina de emergência e suporte avançado de vida dos profissionais de saúde, julgando “prioritária a existência de procedimentos transversais no âmbito da protecção individual e comunitária, assim como a formação de todos os prestadores de cuidados de saúde nos diferentes níveis do sistema”.
Para o CDS, “é preciso reerguer os nossos sectores económicos. Precisamos de devolver a normalidade possível ao quotidiano da vida das nossas ilhas. Precisamos de responder aos mais pobres e mais vulneráveis que os efeitos económicos da pandemia fez certamente crescer e expor ainda mais”.
PS defende que desconfinamento deve ser feito “de uma forma ponderada
Francisco César defendeu que o processo de desconfinamento deve ser feito “de uma forma ponderada, passo a passo, de uma forma diferenciada consoante a realidade” e avisa que o Partido Socialista não vai entrar no “campeonato” dos que procuram protagonismo: “Nós partilhamos daquilo que disse o Senhor Presidente da República: as eleições são neste momento a nossa última preocupação, a nossa primeira prioridade são os açorianos e as açorianas, a nossa primeira prioridade é os Açores”.
O Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, que intervinha no debate parlamentar, considera que o desconfinamento passa por “reabrir a economia da Região” e destacou que, para além das medidas que foram tomadas antes - “Nós lançamos apoios, e aprovamos também aqui apoios, ao nível do suporte do emprego, da manutenção do emprego, para que as pessoas não vissem a sua situação agravada apesar desta pandemia” – já há mais medidas a ser implementadas, “ainda ontem [Segunda-feira] foi apresentada uma medida muito importante no sentido de garantir liquidez às empresas numa altura tão difícil”.
Francisco César insistiu na importância da cooperação que o Partido Socialista tem promovido entre todos: “Nós tivemos o cuidado de em diálogo com os partidos, todos os partidos, em diálogo com os parceiros sociais, ouvindo todos aqueles que quiseram dar o seu contributo (…) aprovar medidas de apoio ao rendimento, para que aqueles que ficaram sem trabalho, ou com o seu rendimento diminuído, tivessem a capacidade de ultrapassar esses tempos difíceis”.
“A nossa prioridade foi, é e será sempre o de salvaguardar, em primeiro, lugar a saúde dos açorianos”, assegurou o líder da bancada socialista na Assembleia dos Açores, reconhecendo que algumas das medidas que tiveram de ser tomadas – “ao nível da restrição de liberdades, ao nível da restrição da nossa circulação” – obrigaram a ter que se “muitas vezes, ao limite dos nossos recursos” e “até ao limite das nossas competências para poder proteger a nossa Região”.
“Soubemos bem que isso motivou muitas reacções, muitos grupos organizados que se juntaram no sentido de tentar quebrar as medidas que nós tomamos para proteger as nossas populações, mas tenham disto toda a certeza: Nós temos muito orgulho das medidas que tomamos para conseguir proteger as nossas populações (…) e apesar de tudo, apesar de termos tido, infelizmente algumas fatalidades, a verdade é que as medidas que tomamos, no sentido de evitar que o vírus pudesse se alastrar aos Açores tiveram, bons resultados permitindo que, inclusive, algumas ilhas não tivessem qualquer tipo de casos de covid-19”.