O Grupo Parlamentar do CDS/Açores vai chamar ao Parlamento regional a Secretária Regional dos Transportes e a Secretária Regional do Turismo para explicar o cancelamento de rotas aéreas para a ilha Terceira.
“A Terceira não pode continuar marginalizada pelo centralismo nacional e regional. Um centralismo promovido por António Costa e Vasco Cordeiro”, criticou o líder do partido, Artur Lima, que se manifestou ontem contra a política de transportes e de turismo do Governo Regional que, no seu entender, tem “prejudicado severamente os interesses dos terceirenses e a sua economia”.
O CDS/Açores vai também solicitar ao seu Grupo Parlamentar, na Assembleia da República, a audição da Secretária de Estado do Turismo, com vista a dar explicações sobre o abandono da rota da Ryainar, relativamente à ilha Terceira.
Artur Lima lembrou que defendeu, no Parlamento regional, uma política de ligações aéreas regulares para a ilha Terceira, que servisse “eficazmente os terceirenses”. De entre as iniciativas, o líder centrista e deputado eleito pela Terceira recordou que foi por sua proposta que foi estabelecido o voo Terceira-Porto, realizado pela SATA. No entanto, lamentou Artur Lima, o “PS e o novo Conselho de Administração da SATA terminaram com essa ligação directa ao Porto, sem darem nenhuma explicação plausível”.
“Para o CDS, esta posição do PS e do Conselho de Administração da SATA só demonstra menosprezo pela ilha Terceira, que é continuamente ignorada tanto nacional como regionalmente”, afirmou.
O deputado eleito pela ilha Terceira prosseguiu, acrescentando que a Ryanair, que só voa uma vez por semana da Terceira para o Porto, “deixará de voar em Setembro”. Atendendo a notícia recentes, a Ryanair, referiu Artur Lima, “abandonará a rota Terceira-Lisboa, a partir de Janeiro de 2021”.
“Tudo isso é inadmissível e não tem qualquer justificação. O CDS repudia estas atitudes que revelam um centralismo regional por parte da Administração da SATA e da tutela dos Transportes e do Turismo”, referiu Artur Lima.
PSD fala em “retrocesso”
Por seu turno, o PSD/Terceira exigiu também explicações ao Governo Regional sobre as ligações da Ryanair entre as Lajes e o continente, para saber “se as mesmas se vão manter em 2021 e o que está o Executivo a fazer nesse sentido”, questiona o Vice-presidente Rui Espínola.
Segundo o social democrata, “fomos recentemente confrontados com notícias do alegado fim da operação da única companhia low-cost que voa para a Terceira, a partir de Janeiro de 2021. E, no presente momento, com o interregno da única ligação directa existente com o Porto entre 29 de Agosto e 26 de Outubro deste ano”, explica.
“Trata-se de um enorme retrocesso nas acessibilidades aéreas à ilha Terceira, num aumento do custo das passagens aéreas e dos tempos de viagem para o continente, devido às escalas, representando uma enorme machadada na economia local”, considera aquele dirigente do PSD.
“Ao nível do turismo e da restauração, essa será uma enorme deceção e perda de confiança para todos os empresários que investiram naquelas áreas. Assim como para todos os terceirenses, que finalmente desfrutavam de maiores e melhores acessibilidades aéreas”, acrescenta.
Rui Espínola lembra que a vinda da Ryanair para a Terceira “representou um passo significativo na melhoria das nossas acessibilidades aéreas, aumentando os fluxos turísticos para a ilha, com uma baixa significativa do custo das viagens aéreas entre a Terceira e Portugal Continental”.
Ao mesmo tempo, “houve também um aumento considerável nas expetativas dos empresários ligados ao setor do turismo e cresceu o investimento privado para fazer face à expectável procura originada”, sublinha.
“Essa revolução nas acessibilidades aéreas de e para os Açores só foi possível a partir de 2015, por via da liberalização do espaço aéreo da Região, levada a cabo por um governo de maioria PSD/CDS”, reforça o social democrata.
“Os terceirenses sentem-se enganados, traídos. E sentem que votar no PS nas próximas eleições regionais é trair a Terceira”, afirma Rui Espínola.
O PSD/Terceira exigiu, neste sentido, esclarecimentos do Governo Regional sobre o assunto, reiterando o seu empenho “na melhoria das ligações áreas para a Terceira e no esforço de manutenção e atração de companhias aéreas lowcost que promovam melhores acessibilidades e competitividade”, conclui Rui Espínola.