O novo Conselho de Administração da Lotaçor apontou ontem a pesca do atum de 2021 como o principal desafio que tem entre mãos, a par das intervenções em curso nos entrepostos de Santa Maria e Faial, num investimento global de 4,6 milhões de euros.
“Chegámos aqui já com a safra do atum a decorrer e este é o nosso principal desafio” a curto-prazo, afirmou o administrador Simão Neves, num encontro com jornalistas, em Ponta Delgada, que serviu para apresentar a missão do novo Conselho de Administração para o triénio 2021-2023.
A Lotaçor, que é o maior empregador na fileira do pescado nos Açores, está a preparar a safra do atum “não só internamente, mas através da ligação com todos os ‘players’ que possam, de alguma maneira, ajudar a facilitar tudo o que vamos enfrentar. Aqui, a palavra é flexibilidade. Temos todos que ser flexíveis para arranjar soluções, porque ninguém consegue saber o que os mercados vão querer do atum este ano”, acrescentou o responsável.
Quanto aos investimentos previstos para o triénio 2021-2023, o foco está na rede de frio, que Simão Neves apontou como “fundamental nas nove ilhas”: “temos de ter capacidade de resposta em todas em cada ilha”.
“A utilização diária dos equipamentos é muito grande. Por exemplo, ainda na Segunda-feira, a lota de Ponta Delgada movimentou 2700 caixas, 30 toneladas de peixe. São equipamentos que estão todos próximos do mar e o nível de desgaste é grande”, frisou.
Por seu turno, a Presidente do Conselho de Administração da Lotaçor, Catarina Martins, também presente na conferência de imprensa, salientou que em causa está um investimento de “1,6 milhões no entreposto de Santa Maria e três milhões de no da Horta”.
“A obra em Santa Maria começou no final do ano passado e está previsto durar 14 meses, deverá terminar daqui a um ano. Já a obra da Horta deverá terminar em Setembro ou Outubro”, avançou.
Quanto aos restantes entrepostos, “já estamos a fazer um levantamento de necessidades”, acrescentou Simão Neves, frisando que “não se pode avançar com obras em outros (entrepostos), sem que estes dois estejam prontos”.
Valorização do pescado
Entre os planos do novo Conselho de Administração da Lotaçor está também trabalhar mais na na valorização do pescado. Simão Neves alertou que esta valorização “não passa só por aumentar o preço”, mas sim por “dar-lhe outras utilizações”.
“Por exemplo, ao reutilizar restos que vão para o lixo. Se fizermos este aproveitamento, estamos a valorizar o pescado. O peixe dos Açores tem este potencial”, defendeu, dando o exemplo do que é feito em outros lugares do mundo: “há países na América Central que utilizam as escamas do peixe para cicatrizar queimaduras. Isso é um exemplo de como valorizar o peixe”.
Para o responsável, “reduzir a valorização do peixe somente ao preço é redutor para a potencialidades deste bem que nós temos”.
A Lotaçor traça ainda como objectivo melhorar a comunicação ao nível dos dados das descargas e preço do pescado, tornando a informação mais clara.
“Temos muita informação em relação às descargas e, muitas vezes, não a utilizamos da melhor maneira. Isso passa a informação errada para o consumidor final. Estamos a trabalhar internamente na disponibilização da informação de outra maneira, que ajude na partilha de informação”, referiu Simão Neves.
O novo Conselho de Administração da Lotaçor resume a sua missão para o triénio 2021-2023 em três palavras, “pessoas, comunicação e cooperação”, destacando ainda como foco a “centralidade”. “É através da centralidade que podemos desenvolver toda a actividade da Lotaçor, quer disponibilizando um espaço para acontecer a venda, quer gerindo portos e núcleos de pesca, quer gerindo os equipamentos que ajudam em tudo o que é produção, comercialização e transformação do pescado através das conserveiras”. A instituição quer, “todos os dias, contribuir para valorizar mais o pescado dos Açores”.
Questionado sobre uma situação em que armadores, em Ponta Delgada, esperaram entre 4 a 6 horas, com atum rabilho no barco, ao sol, pela Inspecção Regional das Pescas, Simão Neves justificou tratar-se de uma situação de pesca acessória e que “os atrasos que aconteceram tinham a ver com não ter o certificado” exigido.
O administrador da Lotaçor referiu que o barco só deve apanhar o peixe “se souber quais são as condições que tem para o poder fazer, nomeadamente, têm que ter a actividade aberta para depois dar seguimento ao procedimento”.
As capturas acessórias referem-se à captura acidental ou não intencional não visadas durante a pesca de outras espécies-alvo, mas o responsável deixou no ar a ideia de que a embarcação terá saído para a pesca dirigida ao rabilho: “A pesca acessória coaduna-se com um barco sair já com isco vivo para atuns? Será pesca acessória ou dirigida?”.
“É importante perceber caso a caso. Pois é uma espécie cujo processo administrativo é muitíssimo complicado. Facilitar pode levantar problemas”, acrescentou.