Mantém-se a cerca em Rabo de Peixe e alunos vão ter equipa de apoio educativo
Diário dos Açores

Mantém-se a cerca em Rabo de Peixe e alunos vão ter equipa de apoio educativo

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De novo obrigatório testes a partir de São Miguel

O Governo dos Açores decidiu manter a cerca sanitária existente na vila de Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, devido à pandemia de Covid-19, ressalvando que poderá ser levantada “a qualquer momento”.
“Quanto em concreto à vila de Rabo de Peixe, mantém-se a cerca sanitária circunscrita em vigor. Os números dos casos positivos nos últimos sete dias assim o obrigam”, avançou ontem o Secretário Regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.
A vila de Rabo de Peixe está desde 15 de Janeiro sujeita a cerca sanitária, embora o perímetro já tenha sido reduzido por duas vezes, situando-se agora no “território a norte da Rua da Praça e na Rua da Nossa Senhora de Fátima, incluindo o bairro situado nas ruas Francisco Andrade e Afonso Maria Tavares”.
A localidade tem actualmente 53 casos positivos activos de infecção pelo novo coronavírus, que provoca a doença Covid-19, tendo sido detectados 48 novos casos desde 26 de Fevereiro.
“Os critérios são fundamentalmente a avaliação da transmissão comunitária, o índice de transmissibilidade e sobretudo o número de casos novos nos últimos sete dias. Tendo em conta esta avaliação não podia deixar de se tomar a medida de manutenção da cerca sanitária circunscrita na vila de Rabo de Peixe”, justificou Clélio Meneses.

“Não é possível um polícia à porta de cada um”

Por sua vez, o Presidente da Comissão de Acompanhamento da Luta contra a Pandemia nos Açores considerou que não é possível ter um polícia à porta de cada casa em Rabo de Peixe e que isso seria “agressivo” e “desumano”.
“Impedir a circulação das pessoas é algo difícil e ter a polícia parada à porta de cada casa a dizer ‘o senhor não sai, o senhor pode sair, o senhor fica em casa ou o senhor pode ir às compras’ é algo, diria, desumano, ainda pior do que ter uma cerca sanitária, que apesar de tudo acaba por prejudicar outras pessoas que não estariam infectadas”, afirmou Gustavo Tato Borges, que lidera a Comissão, na conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.
Gustavo Tato Borges frisou, no entanto, que “não é possível” ter um polícia à porta de cada pessoa, alegando que isso seria “uma medida bastante agressiva”.
O médico especialista em saúde pública disse que muitos dos novos casos são identificados em famílias, que “acabam por morar muito perto”.
“Não está espalhado de um forma global dentro da cerca, o que significa que, se as famílias se resguardarem um pouco mais, podemos ter de uma forma rápida uma evolução muito positiva e uma possibilidade de redução da cerca, mas precisamos que as pessoas façam um esforço adicional para que se contenham nos seus contactos habituais e para que possamos ter esta situação em controlo”, apontou.
A manutenção da cerca sanitária em parte da vila tem gerado descontentamento na população.
O Secretário Regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, disse ter “consciência da complexidade do problema e do mal-estar que ele cria”, mas insistiu em que o levantamento depende da situação epidemiológica.
“O que vai determinar o fim ou a continuidade da cerca não é uma deliberação política ou uma deliberação individual. É apenas e só, objetivamente, a evolução da pandemia. Se os casos baixarem, se deixar de haver novos casos, como infelizmente continua a existir, e se ficar demonstrado que a situação está controlada ao ponto de não ser necessária a cerca, obviamente que será de imediato levantada”, afirmou.
Clélio Meneses apelou a um esforço adicional da população, alegando que um levantamento das medidas de contenção nesta fase poderia provocar um aumento de casos.
“Em Dezembro, quando se levantou a primeira cerca de Rabo de Peixe, para testagem, aconteceu o que aconteceu. Juntamente com outros factores, que podem ter tido influência, chegámos a Janeiro com quase 1.000 casos”, frisou.
O governante lembrou ainda que há equipas multidisciplinares no terreno, que integram psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e médicos, para tentar “apoiar a população”.
“Temos tentado criar mecanismos que atenuem. Temos a certeza absoluta de que não resolve o problema, que as pessoas não ficam satisfeitas com isto. É evidente, é humano, mas é aquilo que o Governo pode fazer”, avançou.

Equipa de apoio educativo aos alunos da cerca

Clélio Meneses anunciou ainda a criação de equipas multidisciplinares de apoio aos alunos dentro e fora da cerca, com o devido distanciamento.
Será um apoio educativo com horários faseados, já que os alunos abrangidos pela cerca não poderão sair para as escolas e mantém.se o ensino à distância.
Fora da cerca, os alunos que têm escola em Rabo de Peixe também mantêm ensino à distância e os que estão em escolas fora da Vila podem ter ensino presencial.

Um caso em Rabo de Peixe e outro no Pico da Pedra

Nas últimas 24 horas de ontem foram diagnosticados nos Açores dois novos casos positivos de Covid-19, ambos em São Miguel, em contexto de transmissão comunitária, no concelho da Ribeira Grande (um em Rabo de Peixe e um no Pico da Pedra), resultantes de 1.623 análises.  
Em igual período, cinco pessoas recuperaram da doença, sendo quatro em São Miguel, em Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande e uma na Madalena do Pico. 
Também nas últimas 24 horas de ontem não se registou qualquer internamento, sendo que não há internados nos hospitais regionais, por Covid-19. 
O número de vigilâncias activas é de 938 e a rede de transmissão local na ilha do Pico, mantêm-se activa. 
Um dos casos reportados no dia 1 de Março, com história de ligação aérea com o exterior da Região, cujo teste de despiste ao SARS-CoV-2, realizado após o sexto dia produziu resultado positivo, apresentou documentação comprovativa de uma anterior infecção e respectiva recuperação, não sendo considerado caso activo na Região.  
À data de ontem, havia 79 casos positivos activos no arquipélago, sendo 67 em São Miguel, nove no Pico e três na Terceira. 
Desde o início da pandemia foram diagnosticados 3.907 casos positivos, recuperaram da doença 3.693 pessoas e 29 faleceram, 67 saíram da Região e 39 apresentaram comprovativo de anterior infecção e respectiva cura. 

Testes a partir de São Miguel para outras ilhas

A partir das zero horas de amanhã, Sábado, volta a ser obrigatório a realização de testes para quem viaja de S. Miguel para as outras ilhas.
Clélio Meneses explicou que se trata de uma medida a avaliar todas as semanas, conforme a situação epidemiológica de cada Concelho. Como em São Miguel existe a situação de alto risco, por causa de Rabo de Peixe, a medida volta a ser implementada, podendo ser retirada logo que a situação seja favorável.
O mesmo acontece com a cerca em Rabo de Peixe, tendo o Secretário da Saúde enfatizado que o levantamento da cerca dependerá sempre do número de casos naquela vila.
Se houver uma diminuição acrescida de casos, como se verificou a dada altura e depois se alterou, a cerca será retirada “a qualquer momento” pela Autoridade da Saúde, salientou o governante.
 

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