Em funcionamento desde o passado dia 1 de Março, o Hospital Internacional dos Açores foi inaugurado oficialmente na manhã de ontem.
O Hospital Internacional dos Açores, o primeiro hospital privado do arquipélago, localizado na cidade de Lagoa, orçado em 40 milhões de euros, representa uma nova “oferta qualificada e robusta”, contendo 50 consultórios, 96 camas, 5 blocos operatórios, maternidade e 7 camas de cuidados intensivos. Abrange cerca de 50 especialidades, tendo também um Hospital de Dia Oncológico.
Isabel Cássio, Directora Clínica daquela unidade hospitalar explicou que deste modo passa a existir mais “complementaridade em relação ao sistema regional de saúde, nomeadamente na cirurgia cardíaca, em algumas áreas da oftalmologia, urologia e medicina estética”. Acrescentou ainda que houve um “cuidado em não desviar recursos fundamentais ao sistema regional de saúde. Temos alguma complementaridade com médicos do continente e os médicos que vão trabalhar connosco são quase todos em prestação de serviços, mantendo a sua actividade no sistema público”, disse.
Luís Miguel Farinha, Presidente do Conselho de Administração, referiu que o hospital irá começar “com cerca de 50 a 60 médicos e com mais de 120 colaboradores”, estando previsto chegar a mais de três centenas. “A administração desta unidade hospitalar garante que está empenhada em mudar o paradigma de que a saúde privada é só para quem tem recursos. Teremos seguramente oportunidade nos próximos meses de provar que isto é um hospital para todos, até porque fizemos um esforço enorme para poder concorrer quer as convenções que existem no serviço regional de saúde neste momento, quer relativamente às convenções com a ADSE”, sublinhou Luís Miguel Farinha.
Governantes satisfeitos com nova unidade hospitalar
José Manuel Bolieiro, Presidente do Governo Regional dos Açores, marcou presença na inauguração do Hospital Internacional na Lagoa. Para o Presidente do Governo, o dia de ontem, foi “um dia importante para os Açores. Para além de termos um bom serviço regional de saúde, de trabalharmos para o reforço da sua capacidade, passamos também a ter mais uma oferta de qualidade no sistema regional de saúde”, destacou. Segundo José Manuel Bolieiro, “a obra contribuí para o desenvolvimento da região, num exemplo claro de como os sectores público e privado conseguem complementar-se, elevando e dignificando a oferta disponível para os açorianos. Temos mais uma oferta qualificada e robusta, que dá oportunidade aos açorianos de acederem a soluções mais próximas e céleres, evitando a inevitabilidade de deslocação para o exterior da Região. Com mais esta resposta, espera-se diminuir constrangimentos no acesso aos cuidados de Saúde”, sublinhou. Acrescentou ainda que “a par do essencial reforço do Serviço Regional de Saúde”, vai ser possível de “forma coordenada e convencionada, aumentar o acesso a consultas, exames ou cirurgias”.
Com o Hospital Internacional dos Açores, os Açores passam a promover um novo tipo de turismo, nomeadamente turismo de saúde: “o turismo de saúde e a oferta de serviços de saúde de qualidade são essenciais para muitos na escolha do destino de férias e de turismo”, referiu José Manuel Bolieiro.
Para Cristina Calisto, Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, a inauguração do Hospital Internacional dos Açores “ é um acto público de grande importância, não só para os lagoenses, mas para todos os açorianos. Fruto de um processo que se iniciou informalmente em 2016 e que agora abre portas”, é tido “como uma mais-valia para a Região Autónoma dos Açores”.
Reforço no sistema regional de saúde
José Manuel Bolieiro teve oportunidade para anunciar ontem “que o Serviço Regional de Saúde terá um reforço de apoio já no Plano e Orçamento para este ano, que combaterá “subfinanciamento crónico” do sector”.
Vão ser disponibilizados “cerca de 75 milhões de euros para o pagamento de dívidas em atraso” no sector, valores em falta que dificultam a “gestão diária, quer na valorização dos recursos humanos - dos profissionais de e da saúde - quer na disponibilização a estes dos materiais e equipamentos necessários para a sua atividade clínica”.
Através da “aposta efectiva na retoma dos cuidados de saúde e determinação nos incentivos à fixação dos respetivos profissionais, poderá ser promovida a “estabilização dos quadros clínicos”, conformou explicou o Presidente do Governo. “Esperamos minimizar dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, nos tempos máximos de resposta garantida, nas necessidades de deslocações ao continente para realização de tratamentos”.
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