Raul Frizado é o primeiro motorista da Uber nos Açores
Alexandra Narciso

Raul Frizado é o primeiro motorista da Uber nos Açores

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O serviço de transporte da Uber já está activo na ilha de São Miguel. Em Julho do ano passado, o Director geral da empresa em Portugal avançava que procurava parceiros para alargar a operação ao arquipélago, mas só neste mês de Março é que o serviço ficou operacional. Isto deveu-se ao interesse manifestado por um jovem micaelense, já ligado à área do transporte de passageiros, que viu na Uber uma oportunidade de aumentar os seus rendimentos e crescer profissionalmente.
Chama-se Raul Frizado e tem 27 anos de idade. Desde há cinco anos que exerce a profissão de taxista a partir da freguesia dos Arrifes, no concelho de Ponta Delgada, onde efectua igualmente transporte de crianças portadoras de deficiência. Agora passou também a ser motorista da Uber. O único a operar nos Açores, para já, em regime de part-time.
“O surgimento da pandemia em 2020 veio piorar a actividade como taxista. Tinha poucos clientes e felizmente surgiu a oportunidade para apostar na Uber”, revela ao Diário dos Açores. 
Segundo conta, já há muito tempo que tinha interesse em investir num serviço do género da Uber em São Miguel, tendo inclusive contactado com outras plataformas do mesmo ramo. A resposta que obteve foi sempre negativa: “diziam que não havia condições para operar nos Açores”. 
Em Julho do ano passado ficou “muito entusiasmado” quando finalmente soube que a Uber  estava à procura de parceiros para alargar a sua actividade a todo o território nacional, incluindo nas ilhas. 
Foi nesta altura que avançou com a abertura da sua empresa e com todo o processo para obter formação e certificação de motorista TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Electrónica).
“Foi um processo muito longo. Abri a empresa a 30 de Julho do ano passado, mas só em Dezembro pude ir tirar a formação ao Porto, pois não há nenhuma entidade que dê estas formações cá na Região. Fui numa altura em que a cidade se encontrava no nível de alto risco de contágio por Covid-19, mas mesmo assim avancei, pois acredito que a Uber tem potencial aqui e a minha vontade falou mais alto”, explicou.
Raul Frizado referiu que surgiram alguns percalços pelo caminho e há ainda questões que precisam ser rectificadas. “Por exemplo, os mapas dos Açores na aplicação da Uber precisam ser actualizados e os preços são calculados tendo em conta uma velocidade de 90 quilómetros por hora, que não é o que acontece na realidade”, aponta o motorista.
O responsável salienta tratar-se de um serviço que difere do táxi pela comodidade que oferece. Raul conta com uma viatura para o serviço que presta como taxista e outra para a Uber, tendo em conta as exigências da empresa. “Nas horas que estou livre, coloco-me disponível na aplicação da Uber para atender os clientes”, explica.
Sendo ele próprio taxista, Raul Frizado alerta que não pretende ser concorrência, apresentando-se apenas como um serviço de transporte “diferente e complementar” ao que já existe. “São serviços diferentes para clientes diferentes”, salienta. 
“A aplicação da Uber é muito interessante e as pessoas gostam. Mas aqui, na ilha de São Miguel, não pretendo que seja concorrente aos táxis. Aliás, faço um apelo ao Governo Regional dos Açores que faça como na Madeira, que limite o número de carros TVDE, através de regulamentação”, defende.
Esta limitação, explica, permitiria evitar “muitos carros da Uber numa região pequena” como os Açores e evitar prejudicar os taxistas, “porque atrás de cada taxista há uma família para sustentar”.
O motorista da Uber destaca a importância de manter a “qualidade em detrimento da quantidade” nos serviços de transportes, realçando que, para os turistas, “o transporte é o primeiro e o último serviço com que lidam ao visitar os Açores, pelo que é essencial manter a qualidade e causar boa impressão”.
Raul Frizado tem boas expectativas para o futuro da actividade, mesmo em tempos de pandemia. “Penso que a situação pandémica vai aliviar e, dentro de um ano ou dois o turismo irá melhorar. Quem sabe vir a contratar mais um motorista e aumentar a frota da Uber cá”, refere.
 

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