12 anos após uma pandemia polémica
Diário dos Açores

12 anos após uma pandemia polémica

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Conversas pandémicas (77)

1.    Dados de Setembro do Wisconsin
Os gráficos são imperiais na demonstração da importância de estar vacinado.

2.    Dados do impacto da vacinação
Pela 1ª vez, o CDC está a divulgar dados dos EUA sobre vacinação e hospitalização e morte, por idade, disponíveis em https://covid.cdc.gov/covid-data-tracker/#rates-by-vaccine-status
Atentemos os dados de morte durante a onda Delta. Os não vacinados têm um risco 11 vezes maior de morrer, do que os vacinados.

3.    Mais dados de Israel
Os resultados de Israel, demonstram que o reforço vacinal reduz os casos de doença grave em todas as faixas etárias. Note-se como a doença grave é definida (não é apenas hospitalização/morte, mas por valores fisiológicos, conforme explicado neste gráfico).

4.    A morte de um Combatente
A perda de Colin Powell, devido a complicações da COVID19, dá-nos uma lição avassaladora: é fundamental vacinar o maior número de pessoas. Não só por nós, mas também pelos outros, em particular aqueles que devido ao seu estado imunitário não podem ser vacinados. Em todo o mundo, milhões de pessoas com o sistema imunológico comprometido dependem de nós. Precisam que nós sejamos vacinados.

5.    Bandeiras vermelhas, para detectar maus profissionais
Sempre que ouvir um profissional, que se diga de “saúde”, a dizer:
- o coronavírus não anda no ar; - basta manter 1,5 m de distância;  - os acrílicos bastam; - não se preocupem com as variantes; - ninguém pode ser infectado novamente; - não há necessidade de máscara dentro de casa; - “aprenda a viver” com o vírus; - as crianças são praticamente imunes…
Fuja. A sério. NOS WC PÚBLICOS. NOS RESTAURANTES. NAS SALAS DE AULA DAS ESCOLAS. NOS ESCRITÓRIOS, e não apenas nos hospitais, o vírus pode permanecer no ar por horas.
Os surtos de super-espalhamento, devido a transmissão por aerossóis, estão documentados. Estudos com aerossóis mostram-nos que o coronavírus persiste, e aí fica estável, por muitas horas. 20 minutos a 4 horas, dependendo da ventilação.

6.    Longo COVID-19 em crianças
Médicos que acompanham crianças com longo COVID19, observam vários sintomas, desde falta de ar (o mais comum), dores musculares, dores de cabeça, fadiga, sono desregulado, dores no peito, perda de cabelo e distúrbios digestivos, perda de paladar e olfato, perda de peso, dificuldade de concentração, perda de memória e exacerbação de tiques em crianças que os sofriam anteriormente.
A infecção por coronavírus em crianças foi considerada leve, desde o início da pandemia. Menos de 1% das crianças que foram testadas necessitou de hospitalização, e os casos de doença grave são raros. No entanto, a doença tem efeitos a longo prazo, conhecidos como “COVID longo”, cuja extensão, gravidade e persistência ainda não estão completamente esclarecidas.
Um estudo publicado recentemente, com 13000 crianças que contraíram COVID-19, descobriu que 11,2% delas sofreram pelo menos um sintoma após a recuperação e 1,85-4,6% apresentavam sintomas após 6 meses. Outro fenómeno, que foi relatado pela primeira vez em Abril de 2020, é a síndrome inflamatória multissistêmica em crianças. A síndrome geralmente aparece 8 a 10 semanas após a doença, mesmo entre crianças que tiveram casos leves. Começa com dores de estômago, alterações na pele e febre, e pode evoluir para lesões cardíacas, com risco de vida. Requer hospitalização e, na maioria dos casos, a lesão cardíaca permanece após a recuperação.

7.    12 anos após a Pandemia H1N1
Nem sempre o parecer técnico agrada ao decisor político. A acrescer, há políticos capazes de coisas extraordinárias: sanear técnicos, porque estes “polemizam” e causam alarmismo e, quando melhor se enquadra na pequena política, os mesmos políticos causam alarmismo, por situações cuja responsabilidade - quase total - lhes cabe.
Estranho que tal tipo de político ainda não tenha percebido que é esta incoerência que afasta os cidadãos da vida política. E os afasta deles, no voto.
E afasta os melhores técnicos, de se envolverem na vida pública. O nível rasteiro não é aquele onde os melhores gostam de se mover. O custo, em Paz perdida, é demasiado, e só o sentido de Missão os pode motivar.
Restam estes, os servidores da Causa Pública raros, bravos, que indiferentes ao achincalhamento permanente, e ao bullying digital, se mantêm firmes. É aquela nobreza de carácter que não se adquire na intriga permanente e doentia (no WhatsApp), na maledicência infame e cobarde (no Facebook) ou a jogar PlayStation. Adquire-se numa vida de dedicação ao Próximo.

 

*Médico graduado em Saúde Pública e Delegado de Saúde

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