Dois açorianos vencedores nas eleições municipais no Quebeque
Norberto Aguiar

Dois açorianos vencedores nas eleições municipais no Quebeque

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Já todos sabem como se desenrolaram as eleições para todos os municípios, grandes ou pequenos, desta «Belle» província que é o Quebeque.
E neste ato eleitoral, que apesar de ser o mais próximo do cidadão comum, é também o mais negligenciado, onde a participação nunca vai para além dos quarenta porcento, acabaram por se verificar muitas surpresas, algumas delas mesmo grandes surpresas.
Para nós, Comunidade Portuguesa, isto pela simples razão da proximidade, a maior surpresa foi a não eleição de Sylvie Surprenant, autarca de Sainte-Thérèse há 21 anos – três como vereadora e 18 como «mairesse».
Para se perceber o que se escreve acima, recorde-se que Sylvie Surprenant é praticamente uma lusófila, pela sua ligação como presidente da sua câmara à numerosa comunidade portuguesa na sua região, e que a liga concretamente à Lagoa (São Miguel), cidade geminada com Sainte-Thérèse, para onde se deslocou em diversas ocasiões e situações.
Além disso, o seu companheiro é açoriano de Vila Franca do Campo. Por tudo isso, esta derrota de Sylvie Surprenant – por 61 votos! – é também uma derrota para a nossa comunidade.

Terceiro mandato
para Armando Melo

Valeu que nesta corrida eleitoral à Câmara Municipal de Sainte-Thérèse estava Armando Melo, o lagoense que aqui chegou com 9 anos de idade e que é toda uma personalidade na sua região, onde já foi considerado, primeiro, Cidadão da Cidade, e mais recentemente escolhido como uma das 50 personalidades mais influentes de toda a região das Laurentides! É este mesmo Armando Melo que contrariamente a Sylvie Surprenant, sua chefe de partido, acabou por vencer ao arrebatar um terceiro mandato, desta vez com a sua maioria (58.80%) mais significativa.
Armando Melo concorreu pelo bairro onde vive e onde já é vereador há dois mandatos. Trata-se do Distrito 7, apelidado de arrondissement Blanchard que, curiosamente, como avança o nosso lagoense, nem tem portugueses, a não ser alguns elementos da «minha própria família», o que torna esta vitória ainda mais valiosa.

Luís Miranda soma 9°. mandato!

Vítima de algumas acusações, todas infundadas, Luís Miranda já leva 32 anos como deputado em Anjou, sinal de que é apreciado pelos seus cerca de 50 mil eleitores.
Luís Miranda primeiro agiu como vereador em part-time, ao mesmo tempo que desempenhava a nobre profissão de bombeiro na sua cidade - naquela altura (1989) Anjou era cidade, como veremos adiante.
Depois, em 1997, o picopedrense que chegou ao Canadá com 9 anos, concorreu e ganhou a presidência da Câmara Municipal de Anjou, apoiando o partido do «maire» de Montreal, Gérald Tremblay.
Já quatro anos depois e obedecendo a uma reformulação política governamental com a fusão de vários municípios através do território quebequense, a que era uma próspera cidade, perdeu terreno e passou a ser considerada como um bairro da grande metrópole que é Montreal.
Na altura houve muitos protestos e várias manifestações de rua, em Anjou e noutras localidades abrangidas pela lei decretada pelo governo nacionalista quebequense…
Sem outra escolha, e apesar de se ter batido denodadamente contra tal diretiva governamental, Luís Miranda acabou por voltar a concorrer em 2001, ao agora arrondissement (talvez Junta de Freguesia no nosso vocabulário municipal português) de Anjou,voltando a vencer a corrida a Anjou, malgrado oposições cada vez mais ferozes.
É este Luís Miranda que contra ventos e marés foi continuando a desenvencilhar-se de todos os seus opositores até aos dias de hoje, consubstanciado na vitória do passado dia 7 de novembro que o levou a conquistar o 9°. mandato eleitoral da sua profícua carreira de político municipal, o primeiro que apareceu em todo o Canadá!
Em novembro de 2025, altura do próximo ato eleitoral municipal, Luís Miranda concluirá 38 anos de vida política, uma carreira que ele próprio «nunca imaginei como possível».

Patrick Rebelo perde por…
21 votos

Dos seis candidatos de origem portuguesa que tomaram parte no ato eleitoral do passado dia 7 de novembro, foi Patrick Rebelo que enfrentou o veredito mais difícil de aceitar. É que perder por 21 votos é doloroso, sobretudo para um jovem de 39 anos que participou pela primeira vez num ato eleitoral desta dimensão.
A concorrer pelo Partido Movimento Cidadão, partido da oposição, que nem sequer tinha representação política na Câmara da cidade (Mirabel) até agora, esta prestação de Patrick Rebelo torna-se por isso ainda mais valiosa. De resto, a sua equipa acabou por marcar presença nos Paços do Concelho de Mirabel ao eleger dois vereadores, nos 10 que elege a cidade.
No momento de alinhavar este artigo, estivemos à conversa com Luís Miranda, Armando Melo e, naturalmente com o Patrick. Maneira de aquilatar do sentimento dos três. Dos dois vencedores era de esperar alegria pela vitória, mais uma vitória! Já por banda do «mirabelense» esperávamos uma certa amargura por ter sofrido uma derrota tão perto do «but»…
Afinal, Patrick Rebelo mostrou-se bom perdedor, mesmo se tem pena de não ter chegado à frente nesta sua primeira experiência política. A comportamento assim, chama-se ter a dose correta de maturidade.
Entretanto, viemos a saber que Patrick Rebelo deve encontrar por horas o seu advogado e responsáveis do seu partido de forma a ponderar a recontagem judicial do resultado.
Durante a próxima semana haverá certamente um veredito definitivo sobre este caso.

Outros candidatos

Francisco Morais, em Blainville, obteve honrosos 24.51 % dos votos, enquanto Rosa Maria de Sousa ficou-se pelos 7,40 porcento dos votos, na cidade de Longueuil.
Sem poder confirmar que Martha Cecília Benavides seja de facto portuguesa, sempre adiantaremos que esta concorrente, na cidade de La Prairie, obteve o terceiro lugar no seu bairro (De la Citière) com apenas 10,31 porcento de votos exprimidos.

Exclusivo LusoPresse Montreal/
Diário dos Açores

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